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Quanto dinheiro levar para morar no Japão: o orçamento dos 3 primeiros meses

Conferido nas fontes oficiais

Pesquisa oficial de custo de vida dos estudantes estrangeiros (JASSO), Serviço de Pensões do Japão, Ministério da Terra, Infraestrutura e Transportes do Japão, Alfândega do Japão, Receita Federal do Brasil, decreto do IOF (Presidência da República), Lei de Normas Trabalhistas do Japão (e-Gov) e cotação PTAX do Banco Central do Brasil

Mala aberta sobre a cama, com roupas dobradas, porta-passaporte rosa e moedas de iene
Imagem ilustrativa

Resposta curta: para os 3 primeiros meses no Japão, some o custo de vida e a entrada no apartamento: pela pesquisa oficial, um estudante estrangeiro gasta em média ¥ 105 mil por mês sem a escola, ou ¥ 315 mil (cerca de R$ 10.140) em três meses, e a entrada soma vários aluguéis de uma vez. Se levar dinheiro vivo, declare na alfândega do Japão o que passar de ¥ 1 milhão e, na saída do Brasil, o que passar de US$ 10 mil (regras conferidas em 19/10/2026).

O orçamento em uma tabela

ItemValorFonte
Custo de vida médio de um estudante estrangeiro, sem a escola¥ 105.000 por mês (R$ 3.380)JASSO
Esse custo médio por 3 meses¥ 315.000 (R$ 10.140)Conta com o dado da JASSO
Aluguel médio do estudante em Tóquio¥ 57.000 por mêsJASSO
Gasto fixo de um estudante sozinho em Tóquio, com a escola¥ 120.000 a ¥ 178.000 por mêsConta da minha aula gratuita
Taxa máxima da imobiliária1 mês de aluguel mais imposto, somando inquilino e donoMinistério da Terra, Infraestrutura e Transportes
Pensão nacional (nenkin), para quem não tem isenção¥ 17.920 por mêsServiço de Pensões do Japão
Dinheiro vivo que precisa ser declarado ao entrar no JapãoAcima de ¥ 1 milhão (R$ 32.200)Alfândega do Japão
Dinheiro vivo que precisa ser declarado ao sair do BrasilAcima de US$ 10 milReceita Federal

Quanto dinheiro levar para os 3 primeiros meses no Japão?

Some três meses de custo de vida e a entrada no apartamento. Pela média oficial, três meses de custo de vida de um estudante estrangeiro dão ¥ 315 mil (cerca de R$ 10.140), sem a mensalidade da escola (Study in Japan, JASSO).

O aluguel médio do estudante é de ¥ 41 mil no Japão todo e de ¥ 57 mil em Tóquio. Na conta que eu fiz na minha aula gratuita do YouTube, um estudante morando sozinho em Tóquio gasta de ¥ 120 mil a ¥ 178 mil por mês, já com a escola. Três meses nesse ritmo dão de ¥ 360 mil a ¥ 534 mil (cerca de R$ 11.590 a R$ 17.190), antes da entrada no apartamento.

Quanto custa a entrada no apartamento?

A entrada costuma ser o maior gasto de uma vez só, porque você paga vários aluguéis juntos: o primeiro aluguel, o depósito (shikikin), as luvas (reikin), a imobiliária, a empresa fiadora e o seguro contra incêndio. Pela regra do governo, a imobiliária recebe no máximo um mês de aluguel mais imposto, somando o que cobra de você e do dono (Ministério da Terra, Infraestrutura e Transportes).

Um exemplo com um aluguel de ¥ 50 mil:

  • Primeiro aluguel e depósito de um mês: ¥ 100 mil.
  • Luvas de um ou dois meses, se houver: mais ¥ 50 mil a ¥ 100 mil.
  • Imobiliária: até ¥ 50 mil, mais imposto.
  • Empresa fiadora, seguro, troca de fechadura e limpeza: o valor muda de contrato para contrato.

Só os três primeiros itens podem chegar a ¥ 250 mil (cerca de R$ 8.050), cinco vezes o aluguel. Por isso, muita gente começa no dormitório da escola ou numa casa compartilhada (share house), que costumam ter entrada mais barata. O passo a passo está em como alugar apartamento no Japão.

Quais contas chegam nos primeiros meses?

Depois do registro na prefeitura, chegam pelo correio as cobranças do seguro de saúde e da pensão. A pensão nacional custa ¥ 17.920 por mês de abril de 2026 a março de 2027, para quem não tem isenção ou adiamento (Serviço de Pensões do Japão).

O seguro de saúde depende da cidade e da renda do ano anterior. Em Meguro, em Tóquio, quem não teve renda e declarou isso paga cerca de ¥ 20 mil por ano, como mostra o guia do seguro de saúde no Japão. Mais para frente, entra também a renovação do visto, que custa de ¥ 10 mil a ¥ 75 mil desde outubro de 2026 (calculadora de taxa de visto).

Quanto tempo até o primeiro salário?

A reserva precisa cobrir o tempo até o primeiro pagamento. A lei japonesa manda pagar o salário pelo menos uma vez por mês, numa data fixa (Lei de Normas Trabalhistas, art. 24). Então, mesmo achando trabalho rápido, o dinheiro só cai no dia de pagamento da empresa.

Quem vem com visto de estudante só pode trabalhar com a permissão de atividade extra, até 28 horas por semana. No salário mínimo de Tóquio, isso dá cerca de ¥ 143 mil em quatro semanas, antes dos descontos. Veja quanto paga um arubaito e a regra das 28 horas.

Precisa declarar dinheiro na alfândega do Japão?

Precisa, se passar de ¥ 1 milhão (cerca de R$ 32.200). Quem entra ou sai do Japão com mais que o equivalente a ¥ 1 milhão precisa entregar à alfândega a declaração de meios de pagamento (支払手段等の携帯輸出・輸入申告書). Entram na soma dinheiro em qualquer moeda, cheques (inclusive de viagem), notas promissórias e títulos (Alfândega do Japão).

O formulário fica nas áreas da alfândega dos aeroportos e portos, e a declaração é feita na própria alfândega, na entrada ou na saída do país (Alfândega do Japão, em inglês).

Quanto dinheiro posso levar ao sair do Brasil?

Acima de US$ 10 mil em dinheiro vivo, ou o equivalente em outra moeda, você precisa preencher a Declaração Eletrônica de Bens do Viajante (e-DBV) e se apresentar à Receita Federal antes do embarque. A Receita pode pedir o comprovante da origem do dinheiro. Quem não declara está sujeito a multa e à perda do valor que passar de US$ 10 mil (Receita Federal).

Comprar iene em espécie no Brasil também tem custo: o IOF da compra de moeda estrangeira em espécie é de 3,5%, o mesmo das compras com cartão internacional (decreto do IOF, art. 15-B). Para transferir em vez de levar na mala, veja como mandar dinheiro do Brasil para o Japão.

Como foi comigo

Cheguei ao Japão em abril de 2025, com visto de estudante, sozinho, sem agência e sem parentes aqui. Na minha aula gratuita, fiz a conta de um estudante morando sozinho em Tóquio: de ¥ 120 mil a ¥ 178 mil por mês. E mostrei a parte que quase ninguém conta: num aluguel de ¥ 50 mil, o primeiro mês e o depósito já somam ¥ 100 mil.

No guia do Working Holiday, eu deixei a minha sugestão para os 2 primeiros meses: ter de ¥ 300 mil a ¥ 500 mil (cerca de R$ 9.660 a R$ 16.100), para não passar perrengue até o primeiro salário. É uma sugestão minha, não uma regra do consulado.

Erros comuns

  • Contar só a passagem e o primeiro aluguel. A entrada no apartamento pode chegar a cinco aluguéis.
  • Usar a média do Japão para morar em Tóquio. O aluguel médio do estudante em Tóquio é ¥ 16 mil mais caro.
  • Contar com o salário na primeira semana. O pagamento sai pelo menos uma vez por mês, na data fixa da empresa.
  • Levar mais de ¥ 1 milhão em dinheiro vivo sem declarar. A declaração é feita na alfândega, na hora de entrar no Japão.
  • Sair do Brasil com mais de US$ 10 mil sem a e-DBV. O valor acima do limite pode ser perdido.

Perguntas frequentes

Quanto dinheiro preciso para morar no Japão nos primeiros meses?

Pela média oficial, ¥ 105 mil por mês para um estudante estrangeiro, sem a escola: ¥ 315 mil em três meses. Some a entrada no apartamento, que pode chegar a cinco aluguéis.

Quanto é ¥ 1 milhão em reais?

Cerca de R$ 32.200, pela cotação PTAX de 16/10/2026. É o valor acima do qual a alfândega do Japão exige a declaração do dinheiro.

Preciso comprovar dinheiro para o visto de estudante?

As escolas pedem comprovação, sem valor fixo em lei: costuma ficar entre ¥ 1 milhão e ¥ 2 milhões, e pode ser de um patrocinador da família. Veja como morar no Japão.

Comprar iene no Brasil paga IOF?

Paga. Em outubro de 2026, o IOF na compra de moeda estrangeira em espécie é de 3,5%, o mesmo do cartão internacional.

Fontes

Próximo passo

Bruno Tesser

Bruno Tesser
Brasileiro que mora na região de Tóquio, criador do canal Bruno Tesser no YouTube e fundador da Comunidade Viver no Japão. Conheça a história

Como este texto foi feito: pesquisa e rascunho com apoio de IA, revisão e experiência de Bruno Tesser, com os números conferidos nas fontes oficiais citadas. Como checamos as informações. Conteúdo educativo, não é assessoria jurídica.